Articulista: Jhonathan William Fernandes
A saúde de acordo com o artigo 196 da Constituição Federal é “direito de todos e dever do Estado''. Todos nós sabemos que a saúde no Brasil não é uma das melhores do mundo, apesar de que deveria ser, já que nós pagamos altas cargas de tributos ao governo. Mas hoje falarei da minha cidade em específico: Santana do Paraíso, localizada em Minas Gerais.
Santana do Paraíso é um município componente da Região Metropolitana do Vale do Aço, fica ao lado da cidade de Ipatinga, que contém de acordo com a estimativa do IBGE mais de 265 mil habitantes. No Paraíso, por outro lado, estima-se que tenha apenas 35 mil moradores, sendo que seu território é maior que o de Ipatinga. Sou morador do bairro Cidade Nova, o maior bairro de Santana do Paraíso, que está localizado a cerca de 35 minutos do centro da cidade (de acordo com o Google Maps) e que, para chegar lá, temos que passar por Ipatinga.
O nosso município não possui hospital e nem pronto-socorro como a UPA por exemplo, em caso de emergência temos que ser atendidos em Ipatinga. Mas o pior é que para sermos atendidos em Ipatinga temos que ir ou sermos levados de carro, por quê? Porque a cidade não conta com SAMU, uma necessidade básica de atendimento de emergência. E a grande rede de SAMU de Ipatinga não nos atende, fazendo com que dependamos do Corpo de Bombeiros, que é estadual. Apesar de ser uma das funções dos bombeiros realizar socorros públicos, essa não é a função principal, que é lidar com incêndios, buscas e salvamentos.
Em julho deste ano, um morador do meu bairro passou mal em frente a uma padaria do bairro, o SAMU de Ipatinga não atendeu, os bombeiros não haviam unidades disponíveis e os funcionários da UBS do centro que realiza plantões, disseram que não poderia atender. Imagina o transtorno que esse morador teve que passar para ser atendido.
Há cerca de 10 anos, eu presenciei um acontecimento parecido, um vizinho caiu do telhado do meu prédio e fraturou a cabeça levando-o ao desmaio e sangramento. Como não é recomendado transportar em carro uma pessoa com ferimentos tão graves, meus pais, outros vizinhos e a esposa desse vizinho, ligaram para os bombeiros, mas não puderam vir e também encheram o SAMU de ligações, até que resolveram vir atender. Infelizmente, a família fica de mãos atadas, uma situação tão séria e traumatizante, porque foram várias as respostas negativas a respeito do salvamento.
Após anos de negligência por parte das autoridades, uma luz de esperança aparece, no dia 21/07/21, a prefeitura anuncia que será inaugurado em agosto uma central do SAMU no centro. Mas fico me perguntando, será que o atendimento desse SAMU será eficiente no meu bairro, já que ele fica a 35 minutos do Centro e dependendo do trânsito até mais? Sendo que, todos nós sabemos que o atendimento de emergência pode salvar uma vida, ou seja, um minuto se quer já pode fazer toda a diferença, um minuto pode decidir entre a morte e a vida de um cidadão. Não há nada mais revoltante do que ver alguém perder a vida devido a ineficiência do serviço público, sobretudo porque todos nós pagamos por ele.
Dentre vários serviços ao cidadão, esse é outro que precisaria de uma base no bairro, que está geograficamente tão longe da cidade. Espero que os anos de negligência sofridos no nosso bairro sirvam de lição para que o serviço seja feito da melhor maneira possível, ou seja, com eficácia, com segurança e com qualidade.
Jhonathan, parabéns pelo seu texto!
ResponderExcluirParabéns Jhonathan pela sua participação nas olimpíadas de Língua Portuguesa 2021.
ResponderExcluirInfelizmente nós sofremos muito isso no nosso bairro,muito ruim no atendimento do pronto socorro
ResponderExcluirLuiz Othavio Ferreira Ramos
302